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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Entrevista a Bruno Santos (2ª parte)

Continuação

7- Quais são os objectivos da equipa para a presente época?

Tendo em conta as nossas limitações em termos de treinos e as alterações em termos de modelo de jogo, é difícil prever como irá ser a época. Certamente muito difícil no inicio, com tendência a
estabilizar no final da 1ª volta e quem sabe com um final feliz! No entanto, tenho a certeza que elas irão lutar pelo resultado em cada jogo, independentemente do adversário, tentando inclusive fazer uma gracinha frente às duas equipas candidatas ao título (Vilaverdense e Prodeco). Como a Taça é já no final da época permite‐nos poder trabalhar em função de uma presença na final‐four e quem sabe, tentar
lutar pela Taça. Penso que temos qualidade para isso, mas tudo dependerá do trabalho que formos conseguindo fazer ao longo da época.

8 - Como classificas o actual campeonato distrital de futsal feminino?

A qualidade individual em Coimbra não é muito má, mas em termos de qualidade colectiva deixa
muito a desejar… Há equipas de defendem e atacam como se fazia há 10 anos atrás… E o pior é que vai resultando para o meio da tabela… Isso promove uma falta de competitividade extrema pois este ano muito dificilmente a Prodeco e o Vilaverdense (Que reúnem planteis muito vastos em termos de qualidade) perderão algum jogo com as restantes. Mas como tenho visto jogos com muito pouca frequência, estou a torcer para que este ano a qualidade esteja bem melhor. Além disto junta‐se a falta de um campeonato de juniores que leva a que muitas atletas ainda juniores não tenham oportunidade de jogar neste campeonato e assim ganhar experiência. Com um campeonato de Juniores certamente a qualidade subiria pois nos Juniores poderiam evoluir atletas que quando chegassem à equipa principal já estariam bem mais rotinadas e com mais minutos de jogo.

9 - E em relação ao distrital de honra masculino, está melhor e mais equilibrado, concordas?

Sendo directo e objectivo, não! Possivelmente só na próxima época iremos ter uma Honra com
tanta qualidade como na época passada. Isto porque subiram duas equipas à 3ª Divisão e apenas desceu uma, algo que faz baixar a qualidade pois a vaga foi ocupada por uma equipa vinda da 1ª Distrital. Além disso, as 3 equipas que subiram parecem‐me muito inferiores às que desceram, algo que também faz descer o nível qualitativo.

10 - Esta modalidade tem merecido a melhor atenção por parte da AFC?

Redondamente não! Nem da AFC nem da FPF, portanto não fazem mais do que quem está
acima… Ou porque não querem, ou porque não os deixam. As pessoas ainda não se capacitaram que quem anda no Futsal não é por dinheiro, mas sim por gosto… Não há necessidade de impingir campeonatos jogados a 4 voltas para encher os cofres da AFC e sem qualquer contributo para a felicidade dos intervenientes… O número de jogos até pode ser o mesmo mas o modelo competitivo ser outro! Quando a AFC quiser ouvir e aceitar as propostas dos clubes poderei dizer que estão a dar alguma atenção… Enquanto assim não for…

11 - Ano após ano, vão desistindo equipas. Que futuro auguras ao futsal do nosso distrito?

O futuro depende quase exclusivamente da AFC… Fazer competições que dêem alguma
motivação aos atletas e principalmente com custos suportáveis pelos clubes… O futuro dependerá disto… Se realmente a AFC quiser fazer evoluir o Futsal basta mexer em 2 ou 3 indicadores e o número de equipas poderá disparar… Agora o segredo está em saber mexer… Se mexerem bem crescem, caso contrário diminuem… E com a conjectura actual é mais fácil que diminuam pois para que isto aconteça basta deixar tudo como está… Apenas um recado para quem nos gere: Analisem a evolução a nível Nacional e concluam se os outros estão todos errados ou só nós é que estamos certos… É que na maioria dos distritos o número de equipa aumenta ou no pior dos casos vai‐se mantendo e raramente diminui…

12 - Mudando de assunto, na tua opinião quais as principais características para ser um bom
jogador de futsal
?

Antes de ser bom jogador, é necessário conseguir ser um grande Homem… Sendo isso, basta ter
bastante qualidade de passe e recepção, ter alguma técnica e ser muito inteligente. Além do passe e recepção esta é a característica mais importante… Decidir bem e rápido… Um jogador com fraca capacidade de decisão dificilmente será um bom jogador. Tudo se treina mas esta é a característica mais difícil de ser treinada se o atleta não estiver mentalizado para tal… Na minha perspectiva, dificilmente um mau aluno pode ser um excelente jogador de Futsal…

13 - Arbitragens, achas que os árbitros do nosso distrital estão bem preparados?

Não estão mal, mas poderiam estar mais bem preparados. É a tal conversa do treino especifico…
O treino deles é correr, e muitas vezes nem isso, e depois na hora de decidir falta a prática. Quando conseguirmos ter árbitros e atletas a treinar no mesmo pavilhão e a interagir de modo a que ambos evoluam, ão duvido que teremos os melhores árbitros do mundo e também bons jogadores… Pelo menos que não protestem tanto … Enquanto assim não for, eles vão desenrascando e fazem do jogo o seu treino específico. Ora, se para os atletas o treino serve para errar, para os árbitros é exactamente a mesma coisa… Só que o treino deles é o jogo…

14 - Como treinador quais são os teus objectivos a curto e longo prazo?

A curto prazo é difícil estabelecer, pois a minha vida não gira em torno do Futsal… No entanto,
tenho como objectivo chegar aos Nacionais a curto prazo… Aí enquadra‐se uma passagem por
treinador‐adjunto de uma equipa que esteja nos Nacionais (Quanto mais acima melhor), pois faz‐me falta perceber essa realidade. Ainda por cima nunca fui treinador‐adjunto, e para crescer um pouco mais necessito de o ser. Isso seria um projecto que poderia perfeitamente ser coincidente com a continuidade na formação e talvez tentar levar uma equipa a um título Nacional de Juniores. É algo que não tem necessariamente que ser no Distrito de Coimbra, pois Viseu está aqui tão perto e a evoluir mais depressa do que nós… Mas para já conto ficar pelo menos mais um ano aqui na zona!
A longo prazo (mas mesmo a muito longo), e se a minha vida profissional me permitir, gostava de
treinar em todas as divisões até chegar à 1ª… Mediante a experiência logo se veria o futuro…
15 - Para terminar, queres deixar uma mensagem aos leitores do blog oficial do FC Oliveira do Hospital?

Apenas dizer que apoiem a equipa e acreditem nela. Há pessoas que trabalham diariamente para ter este projecto a andar e necessitam de sentir o vosso apoio para que continuem a ter motivação de liderar um projecto que não é nada fácil…. Muitas vezes não se dá o devido valor ao facto de se terem equipas de futsal masculina e feminina… Hoje em dia ser “carola” não é nada fácil… São mais as portas fechadas que as abertas… Além disto apenas queria pedir que apoiem as equipas indo também aos jogos pois quem faz parte destas fará tudo o que estiver ao seu alcance para que vençam sempre! É que jogar com pouco público é bem menos agradável do que jogar com uma casa bem composta!
Um abraço e obrigado pelo apoio que nos deram nos últimos dois anos.
Fim

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Entrevista a Bruno Santos

O Prometido é devido, cá vai a primeira de duas partes da entrevista concedida pelo Bruno Santos ao Blog oficial do Futsal do FC Oliveira do Hospital.

O nosso obrigado pelo tempo dispensado, bem como por tudo o que tem feito pelo nosso clube.

Aproveitamos igualmente para desejar as maiores felicidades para o campeonato que sábado se inicia, ao comando da nossa equipa senior feminina.



1 - Bruno, de onde nasceu a tua paixão pelo futsal?

A paixão pelo futsal nasceu nos tradicionais torneios de Verão. Na altura não era bem pelo futsal (ou futebol de 5) em si mas sim o gosto de jogar em campo reduzido e estar mais em jogo!Com base numa equipa que disputava torneios de Verão, formámos em Espariz uma equipa que começou a disputar competições oficiais na época 2002/2003. Foi um projecto em que poucos acreditaram mas que fomos cimentando ao longo dos anos com muito espírito de sacrifício. Em simultâneo representei a equipa de futsal do Instituto Politécnico de Coimbra que disputa a liga universitária, competição que nos primeiros anos me surpreendeu pela positiva, tal era a qualidade dos intervenientes. Á medida que os anos foram passando, a paixão pela modalidade foi aumentando.

2 - Jogaste futebol de 11, porquê então o futsal e não o futebol de 11?

Joguei Futebol 11 em todas as camadas jovens, mas no meu último ano de Júnior fui estudar para fora, algo que me impediu de treinar regularmente Futebol 11. Como na época seguinte criámos a equipa de Futsal, integrei o plantel, tendo sido esse o ponto de viragem pois não mais voltei ao Futebol 11. Ainda tive propostas para voltar mas a presença na Liga Universitária marcou‐me pela positiva, uma competição na qual havia futsal de elevada qualidade onde jogavam alguns atletas da 1ª Divisão Nacional.

3 - Tens o nível III de treinador, fala-nos um pouco do teu currículo?

Em termos de currículo, tirei o nível I em 2004 e no ano seguinte o nível II, ambos na AF Viseu.
Em 2008 abriu o curso de nível III, no qual me inscrevi e com alguma surpresa fui aceite pois as vagas são limitadas e a prioridade é dada os treinadores que estão ou já passaram pelos Campeonatos Nacionais.

Não menosprezando o nível I e II, de todos foi o curso mais rico, pois o grupo tinha uma qualidade excepcional. Pessoas excelentes e com muito conhecimento, desde os formadores aos formandos. A troca de experiências e de conhecimento foi fabulosa, tendo sido uma experiência marcante. Além disto e como me considero uma pessoa interessada, sempre que posso frequento palestras e colóquios em Portugal e em Espanha.
Em termos de actividade como treinador, comecei a treinar em 2004/2005… Na altura jogava em espariz tinhamos perdido um colega e amigo devido a acidente de viação. A equipa ficou
completamente de rastos, tendo havido algum período de grande instabilidade. O treinador saiu e foi necessário recorrer a alguém para assumir a equipa até ao final da época. Como tinha curso, assumi a equipa sénior, e continuei para o ano seguinte. Nesse mesmo ano ainda fiz uma perninha pelos Infantis.
Após a segunda época em Espariz decidi mudar de ares, tendo surgido uma proposta por parte da Prodeco que me agradou bastante. Mesmo sem experiência a treinar Seniores Femininos, aceitei a nova aventura, tendo também estado com uma equipa de Juvenis. Nos Seniores Femininos lutámos pelo título, tendo a equipa ficado em 2º lugar e sido a defesa menos batida da competição. Após o final da época decidi entrar noutro projecto e surgiu a proposta do Oliveira. Do trabalho efectuado cá penso que não é necessário falar pois está à vista de todos.

4 - O que te levou a aceitar há 2 anos atrás o convite do FCOH para vires treinar a
equipa senior Masculina?

Foram várias razões. Uma delas foi o facto de ter vindo ver um jogo em que o Pavilhão estava cheio, tendo‐me deixado uma sensação de que gostaria de colocar aquela gente toda a ver bom futsal.
Outra foi o facto de a equipa ter bastante qualidade, e não fossem os problemas ao nível de emprego que levam os jovens a rumar a outras paragens, essa mesma equipa poderia já estar nas Competições Nacionais, tal como me parecia na altura. Uma outra razão e a mais importante foi o facto o clube estar bem organizado e estarem à frente da secção um grupo de jovens trabalhadores e responsáveis. Ainda uma razão mais sentimental foi o facto de o meu pai ter sido jogador de hóquei do FCOH, algo que me deixou sempre uma ligação a este clube.


5 - Que balanço fazes dessas duas épocas?

O balanço foi extremamente positivo. Na primeira época subimos de divisão, fomos campeões e só me ficou o amargo na boca por termos perdido na final da Taça. Uma época em que melhor era muito difícil, pois vencemos todos os jogos na fase regular do campeonato e, na discussão do título após um empate em casa, fomos a casa do adversário vencer categoricamente. Para a Taça eliminámos o campeão e vice‐campeão da Divisão de Honra. Por este percurso e pela qualidade que demonstrámos foi pena não vencermos a Taça mas aquele não era o nosso dia… Foi uma época em parte facilitada pelo facto de se ter mantido a base do ano anterior. A época passada foi uma época muito diferente da 1ª, muito mais difícil… Um autêntico desafio. Se para uma equipa que sobe de divisão, lutar pela manutenção não é fácil, então o que dizer de uma equipa que sobe de divisão e perde 5 dos atletas mais utilizados. Foi um ano em que tivemos que reconstruir uma equipa, andando‐se a fazer experiências mesmo já com o campeonato em andamento, o que nos valeu uma fase inicial menos boa. Depois de estabilizar‐mos o plantel, fomos uma equipa que lutou por cada jogo, independentemente do adversário. Devido a esse facto ficou‐me novamente o amargo de boca na Taça pois tenho a consciência de que se este ano tivéssemos conseguido chegar à final‐four a Taça seria nossa, independentemente do adversário. Mas em nenhum jogo da Taça tivemos o plantel completo, algo que nos dificultou a nossa própria tarefa e nos fez sair prematuramente. Mesmo assim provámos que se trabalhou bem e vencemos a Taça de Encerramento, uma bofetada para quem no inicio da época nos considerava uma equipa fraquinha e que dificilmente iria pontuar na Divisão de Honra. Tenho que agradecer a época que fizemos aos atletas e todo o staff que nos acompanhou pois nas condições difíceis em que trabalhámos penso que fizemos algo de muito bom. Foi uma época marcante pois não tínhamos experiência de Divisão de Honra, apostámos num modelo de jogo arrojado para quem estava a reconstruir uma equipa e ganhámos a aposta. Ambas as épocas foram boas mas a última, por ter sido muito mais complicada, diria que foi marcante.

6 - Esta época mudaste-te para o comando da equipa feminina? Porquê?

Bem, não se tratou bem de uma mudança directa da equipa masculina para a equipa feminina.
Tratou‐se primeiro de uma mudança para a equipa Júnior do Ervedalense, tendo vindo o comando
técnico da equipa Feminina por acréscimo. Após a garantia da manutenção no final da época passada começámos a trabalhar para o futuro da equipa e também do futsal no concelho. Na altura, havia uma proposta do Ervedalense para que assumisse a equipa Júnior, de modo a garantir a implementação de um modelo de jogo que permita aos atletas que vinham dos Juvenis continuarem a sua formação. Como nunca tinha treinado Juniores e como para ter um conhecimento mais profundo do futsal distrital e do desenvolvimento dos atletas me era importante treinar esse escalão, chegámos à conclusão que seria o timing certo para se fazer esta mudança, isto porque o Carlos Rocha após 2 anos a trabalhar comigo está já por dentro dos mesmos princípios e sem qualquer dificuldade poderia dar continuidade ao trabalho que tinha sido feito nos seniores até então.
A hipótese de treinar a equipa Feminina surgiu apenas depois de se decidir se a equipa iria ter
continuidade pois devido a problemas financeiros esteve em via de ser suprimida. Como a secção decidiu, e bem, manter a equipa, disponibilizei‐me para as treinar pois os treinos coincidem em termos de dias e pavilhão com os Juniores, algo que facilita bastante. É assim uma forma de continuar a ajudar este clube, ao qual devo muitos bons momentos.

(continua amanhã)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

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O blog oficial do FC Oliveira do Hospital, vai "esmiuçar" Bruno Santos.

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